sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Noticia - AEB alerta para risco de desindustrialização no Brasil - Exame Online.

Associação de Comércio Exterior do Brasil afirma que o predomínio de commodities em detrimento de produtos manufaturados pode ameaçar a produção nacional

Rio de Janeiro - O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e diretor da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, e o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, alertaram hoje para o efeito de desindustrialização em alguns setores da economia brasileira. Os dois ressaltaram uma inversão na composição da pauta exportadora do País nos últimos anos, com predomínio de commodities em detrimento de produtos manufaturados.

O cenário é especialmente preocupante neste momento, segundo eles, diante da turbulência internacional, em meio à queda do preço de commodities. "Tudo o que o Brasil se beneficiou nestes últimos anos pode agora se reverter", disse Castro no Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), no Rio.

Ele cita produtos como o açúcar - que teve aumento em termos de volume e de preço na última década, passando de US$ 197 por tonelada para US$ 556 por tonelada entre 2001 e 2011. Giannetti ressalta que, em 2000, a pauta era marcada pela exportação de aviões, automóveis, confecções e aparelhos, entre outros. Hoje, aviões, por exemplo, aparecem apenas marginalmente na pauta. Giannetti destaca que o coeficiente de importação, medido sobre o consumo aparente, alcançou 22,9% no segundo trimestre de 2011. Em 2003, estava em 12,5%.

"Em oito anos quase dobrou. Crescer é bom para a economia brasileira, o que não pode é crescer desta forma acelerada, substituindo produto nacional por importado de forma predatória. Muitas vezes as importações são feitas de forma desleal", disse Fonseca. AEB mostra que as exportações de manufaturados estagnaram em toneladas desde 2009, enquanto a de commodities explodiram, sustentando a balança comercial desde 2001.

Faxina

Giannetti da Fonseca defendeu apoio à presidente Dilma Rousseff à chamada faxina contra corrupção no governo e criticou fortemente a ameaça de congressistas de partidos insatisfeitos com as trocas de cargos no executivo de dificultar a aprovação de medidas no legislativo. "O Brasil precisa de reformas estruturais. A sociedade civil precisa apoiar integralmente a presidente, e mostrar intolerância e indignação com essa postura", defendeu.
O presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Jorge Ávila, fez coro e defendeu a construção de "um ambiente mais ético, com governabilidade".

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Legislação - IN RFB nº 1.181/2011 - Operador Estrangeiro - Importação - Procedimento de verificação de conformidade aduaneira - Instituição.

Noticia - Rússia critica serviço de controle veterinário brasileiro - Agência Brasil/Comexdata.

Em meio a uma negociação para acabar com o embargo às exportações de carnes de frigoríficos do Rio Grande do Sul, Paraná e de Mato Grosso, o governo russo divulgou nota dizendo que o nível de controle veterinário brasileiro tem "diminuído inaceitavelmente". Segundo o vice-diretor do Serviço Federal de Fiscalização Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor), Yevgeny Nepoklonov, o trabalho do Brasil vem piorando gradualmente nos últimos anos.

A nota, divulgada no site do Rosselkhoznadzor, relata a conversa telefônica, ocorrida na semana passada, entre Nepoklonov e o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura (Mapa), Francisco Jardim. De acordo com o texto, a autoridade russa chamou a atenção de seu colega brasileiro para o fato de a cooperação entre o Mapa e as plantas frigoríficas ter sido apenas de caráter formal e restrito ao controle de documentação, ignorando a necessidade de fiscalização em cada unidade.

Nepoklonov observou, "com pesar", que a qualidade dos serviços veterinários brasileiros em 2009 era "muito melhor" que é agora. Segundo ele, o nível mais alto foi atingido em 2007, quando especialistas russos vieram ao Brasil fiscalizar as remessas para seu país. Em razão da estreita cooperação com os inspetores brasileiros, eles conseguiram fazer seu próprio controle, com eficácia, durante algum tempo.

A nota ressalta ainda a preocupação do Rosselkhoznadzor com o fato de os materiais enviados pelas autoridades sanitárias brasileiras sobre a correção das deficiências apontadas não terem fornecido provas documentais de inspeções feitas em várias plantas. Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Agricultura informou que não vai comentar a nota do governo russo.

Desde o final de maio, quando os russos anunciaram o embargo às unidades exportadoras de carnes dos três estados, que entrou em vigor a partir de 15 de junho, as autoridades sanitárias dos dois países estão em constante negociação para resolver o caso. Desde então, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, anunciou a redução da lista de plantas habilitadas a exportar para a Rússia e o investimento de cerca de R$ 50 milhões para modernização dos laboratórios de análises. Os recursos, no entanto, ainda não foram liberados.

Noticia - Apex vê espaço para o Brasil aumentar exportações para os EUA - Agência Brasil/Comexdata.

Apesar da crise econômica enfrentada pelos Estados Unidos, ainda há espaço para o Brasil aumentar as exportações para aquele mercado, segundo o coordenador de Desenvolvimento de Novos Produtos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Juarez Leal. "Os Estados Unidos vão continuar comprando. O país é a locomotiva do mundo. É um mercado que não pode ser desprezado", disse ontem (17) Leal, ao participar de um seminário promovido pela Apex-Brasil, em São Paulo.

Durante o evento, a agência orientou empresários para que aproveitem melhor o potencial de exportação para os EUA. De acordo com Leal, a economia americana deve crescer pelo menos 2% ao ano até 2014. Com isso, assinalou, o consumo naquele país deve aumentar em US$ 500 milhões (quase R$ 800 milhões).

No passado, lembrou Leal, os EUA importaram US$ 1,9 trilhão (mais de R$ 3 trilhões). De total, pouco mais de 1,3% foram comprados de empresas brasileiras. Em 2010, 5.834 companhias nacionais exportaram US$ 24,9 bilhões (R$ 39,5 bilhões) aos Estados Unidos. Esses embarques, observou o executivo da Apex, não são pequenas, mas podem ser maiores.

A gerente do Centro de Negócios da Apex em Miami, Silvia Breda, citou algumas áreas com maior potencial para as empresas nacionais no mercado dos EUA. Segundo ela, os setores de alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos, artigos de construção e decoração e moda têm espaço para aumentar suas exportações. Para tanto, acrescentou, precisam fazer esforços para consolidar suas marcas, além de atuarem melhor no pós-venda.

Como esse tipo de investimento, ressaltou Leal, as empresas brasileiras podem agregar valor aos seus produtos e compensar o câmbio desfavorável à exportação. "Os exportadores não podem querer ganhar no preço. Devem investir em qualidade."

Noticia - Especialistas discutem no Rio como ampliar competitividade das exportações brasileiras - Agência Brasil/Comexdata.

Cerca de 2.800 líderes empresariais, autoridades governamentais e profissionais que atuam na área de comércio exterior  participam, a partir de hoje (18), do 30º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex 2011), no Rio. O evento é promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e tem como tema central  a competitividade da economia brasileira.

O vice-presidente da AEB, Fábio Martins, disse que embora o governo venha se mostrando sensível a questões como a necessidade de desoneração da produção na  área industrial, é preciso uma melhoria na infraestrutura, com destaque para portos, e na logística em geral. 

"Esses elementos vão permitir que o produto brasileiro ganhe competitividade e possa enfrentar a grande concorrência que existe no mundo, inclusive compensando a excessiva valorização da moeda".

Segundo Martins, esses são os principais pontos defendidos  pelas entidades que atuam no comércio exterior. Segundo a AEB, os temas são vitais para que a exportação brasileira  recupere terreno, com destaque para a área de manufaturados, que enfrenta dificuldades para se manter competitiva no mercado internacional.

Outra preocupação que está sempre presente nos debates é a agregação de valor. Nesse aspecto, destacou Martins, sobressai a importância da inovação como elemento fundamental para a competitividade, na medida em que incorpora mais tecnologia ao processo produtivo e ao produto, gerando maior valor.

O vice presidente da AEB lembrou, entretanto, que o que ocorre  hoje é que os valores que cada produto incorpora têm sido favoráveis às commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no exterior), que tiveram aumentos significativos de preço, o que estimulou os produtos a serem exportados na sua forma primária.

"O problema é que as commodities têm um comportamento de preço ditado pelas cotações internacionais, pelas bolsas de mercadorias, e isso acaba sendo uma formação de preço que não depende da ação do produtor mas, sim, da própria lógica do mercado".

A AEB  continua defendendo que o melhor para o Brasil é incorporar mais tecnologia e vender produtos de maior valor agregado. "Mas, para isso, é preciso que as condições de competitividade favoreçam essa exportação", observou Martins.

Outros fatores impedem a expansão do comércio exterior brasileiro. Entre eles, o vice presidente da AEB citou a elevada carga tributária, que tira a competitividade da empresa exportadora nacional. Outro problema é o excesso de burocracia. "Tudo isso acaba acarretando mais custo àquilo que se convencionou chamar de custo Brasil".

Outros temas de interesse do setor serão debatidos no Enaex 2011, como defesa comercial, câmbio, modernização da aduana brasileira. Como já é tradição no Enaex, ao final do encontro serão elaboradas propostas para encaminhamento ao governo federal, "buscando equacionar essas dificuldades que enfrentamos nas exportações", acrescentou Martins.

O encontro será aberto às 9h, com pronunciamento do secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alessandro Teixeira, sobre A Política de Desenvolvimento da Competitividade e o Comércio Exterior. À tarde, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, abordará o tema Inovar para Competir: Financiando a Incorporação Tecnológica. O Enaex 2011 vai até amanhã (19).

Noticia - Exportador têxtil e de calçados teme efeito da crise no mercado local | Valor Online


Em 2000, o Brasil exportou US$ 1,6 bilhão em calçados e US$ 629 milhões em confecções. Dez anos depois, esses valores caíram para US$ 1,4 bilhão e US$ 550 milhões. Como a perda de mercado externo foi particularmente intensa nos mercados ricos - EUA e Europa - e hoje eles representam uma ínfima parte da exportação brasileira, a perspectiva de nova crise internacional trouxe outra preocupação para os fabricantes nacionais - o arrefecimento do mercado interno e o aumento da concorrência externa no Brasil. 

Empresas do setor têxtil, que ainda exportam pequena parcela de seu faturamento, não sentiram redução de encomendas, nem receberam cancelamento de pedidos externos. O momento, dizem, é de cautela. O período de encomendas de calçados de inverno no Hemisfério Norte começa em setembro e as indústrias, ao mesmo tempo em que se preparam para o impacto da crise na Europa e nos EUA sobre as exportações, também veem risco para os negócios no mercado interno.

De janeiro a junho deste ano, US$ 802 milhões foram exportados pelo setor têxtil brasileiro (incluindo confecções, tecidos e fios), enquanto o mercado mundial está caminhando para US$ 400 bilhões, informa Ulrich Kuhn, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex) e membro do conselho da Hering.

Desses US$ 802 milhões, apenas US$ 140 milhões representam embarques de manufaturados. O restante envolve matérias-primas, como fios e tecidos. "Nunca fomos grandes, mas estamos cada vez menores", diz Kuhn.

Segundo ele, a Hering é um exemplo de todas as empresas têxteis de Santa Catarina. As exportações já significaram 30% do faturamento da companhia no início da década de 90, e hoje não são mais do que 1%. Além disso, o pouco ainda exportado se volta cada vez mais para os países vizinhos, onde a empresa tem franquias ou clientes que trabalham com a marca, em detrimento dos mercados americano e europeu, antes os principais destinos das vendas externas. "As exportações são importantes como visão de marca, mas como participação econômica são muito pequenas", diz Kuhn.

"Essa crise, se acontecer, não vai nos afetar em nada", avalia Marcello Stewers, vice-presidente da Teka, fabricante de itens de cama, mesa e banho de Blumenau. A empresa chegou a exportar 40% do faturamento em 2002, e em 2010 embarcou apenas 8,7% dele. Na previsão de Stewers, esse percentual chegará a 6,7% em 2011. "Com o câmbio derretido do jeito que está, não tem como ser mais do que isso."

Desde 2006, a Döhler, de Joinville, também de têxteis para o lar, focou o mercado nacional para driblar dificuldades de exportar. Nas décadas de 80 e 90, mais de 60% da produção era voltada para o mercado externo. Atualmente, menos de 10% vai para o exterior. Após a mudança, o faturamento vem crescendo, e a produção também.

Carlos Alexandre Döhler, diretor comercial da companhia, afirma que a empresa mantém seu programa de investimentos - uma nova tecelagem, tinturaria e fiação na cidade -, com o objetivo de voltar a exportar em cinco ou seis anos, e com a crença de que o mercado interno continuará forte no curto e médio prazos. "Iniciamos um ciclo muito difícil de ser interrompido. A própria necessidade gerada por esses novos consumidores vai exigir investimentos."

Como no setor têxtil, as encomendas de importadores são feitas com três a seis meses de antecedência e ainda não há como apontar mudança de cenário após as turbulências das últimas semanas. "Estamos apenas há alguns dias com mercado incerto. Em um mês, um mês e meio, teremos visão mais clara disso", diz Kuhn. "É muito cedo para falar de crise, temos que esperar", concorda Stewers. 

Para Carlos Alexandre, da Döhler, a crise na economia europeia é realidade, mas as vendas da empresa já estão estagnadas no continente, porque quem está consumindo lá é o imigrante, o que seria como a classe D no Brasil. "Ele olha só o fator preço, aí tem que comprar produto chinês mesmo." Nos EUA, para onde a companhia também exporta, houve uma reorientação das vendas da classe B para a classe A, que continua comprando, mas em menores quantidades. 

O setor de calçados também ainda não tem estimativas do tamanho dos possíveis danos, mas segundo o diretor comercial da West Coast, Rafael Schefer, as vendas domésticas podem ser afetadas em caso de restrição ao crédito ou de queda da confiança dos consumidores no mercado interno.

Para o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, com eventual redução do consumo na Europa e EUA, os fabricantes asiáticos também poderão redirecionar para o Brasil parte de suas exportações. Com isso, aumentaria a pressão sobre o fabricante nacional no mercado local.

De janeiro a julho, a importação de calçados do Vietnã, da Indonésia, da China e da Malásia cresceu 36,7%, para US$ 199,6 milhões, e representou 83,3% das compras externas do país no segmento. Em 2010, os importados supriram 3,7% do consumo do produto no Brasil, que totalizou 780 milhões de pares. Para 2011, a Associação Brasileira dos Lojistas de Calçados prevê alta de 10% na demanda doméstica, ante 13% em 2010.

No cenário externo, a crise nos países desenvolvidos vai acrescentar um complicador adicional aos problemas enfrentados pelos exportadores, devido à valorização do real. "As vendas da próxima coleção de inverno para o Hemisfério Norte correm o risco de fracassar", admite o gerente de exportação da West Coast, John Schmidt.

Os pedidos para este período começam a ser feitos em outubro, para entrega em dezembro e janeiro. As encomendas para o verão europeu e americano terminaram em maio e foram atendidas até julho. Por enquanto, os distribuidores europeus e americanos ainda não sinalizaram com possíveis reduções das encomendas, mas o executivo afirma que a situação é de cautela. "A crise é um problema que se soma ao câmbio", diz. 

De acordo com Schmidt, a Europa absorve cerca de 30% das exportações da empresa com sede em Ivoti (RS). Os EUA ficam com 4% dos embarques. A maior parte (48%) vai para a América Latina.

"A crise certamente terá algum impacto, porque abala a confiança dos consumidores dos países importadores", reforça Klein. Segundo ele, as empresas começarão a ter alguma ideia do tamanho do estrago a partir do mês que vem, quando começa a temporada de feiras setoriais nos EUA.

As exportações do setor nos sete primeiros meses do ano caíram 25,8% em volume, para 66,1 milhões de pares, e 13,7% em valor (US$ 777,1 milhões), em comparação com igual período de 2010. Os EUA seguem como o principal destino dos calçados brasileiros.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Noticia - Estratégias de combate ao dólar barato dividem até os desenvolvimentistas | Valor Online


O câmbio sobrevalorizado já causa estragos relevantes na indústria brasileira, evidenciando a urgência de o governo combater a apreciação do real, concordaram ontem os economistas desenvolvimentistas reunidos na Fundação Getulio Vargas (FGV). Houve divergências, porém, sobre o impacto de um câmbio desvalorizado sobre as exportações e sobre a capacidade de alguns setores competirem com a China. Tampouco houve consenso acerca do receituário para lutar contra o dólar barato - taxação de exportações de commodities e até mesmo a adoção do controle de capitais na saída estiveram em pauta. 

O economista Francisco Eduardo Pires de Souza, assessor da diretoria do BNDES, destacou o mau desempenho da indústria no pós-crise. Entre o terceiro trimestre de 2008 e o primeiro trimestre deste ano, a indústria de transformação caiu 0,2%, apesar de a demanda ter crescido com força - nesse período o consumo das famílias avançou quase 14%. As importações abasteceram grande parte dessa demanda. "A queda da competitividade tem levado a um comportamento anêmico da indústria, e que vem se agravando", disse ele, que participou do seminário "Um novo desenvolvimentismo e uma macroeconomia estruturalista do desenvolvimento", organizado pela Escola de Economia de São Paulo da FGV pelo Centro Celso Furtado. 

Entre 2004 e 2010, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma média anual de 4,4%, enquanto a indústria de transformação avançou apenas 2,9%, sinal de que o setor deixou de comandar o avanço da economia. A queda do volume exportado de manufaturados é outro sintoma da dificuldade de competir da indústria brasileira, notou ele. "O aumento de produtividade na manufatura não compensa a apreciação cambial e elevação de salários", disse Souza, observando que "o custo unitário do trabalho sobe muito frente a outras economias". De 2004 a 2010, o custo do trabalho em dólares do setor manufatureiro do Brasil aumentou 129%, enquanto o alemão cresceu 5% e o grego, 32%. "Há segmentos da estrutura industrial brasileira que não terão mais como competir, mesmo com câmbio depreciado. Alguma redução da diversificação industrial parece inevitável." Segundo Souza, alguns segmentos dos setores de calçados e de vestuário já enfrentavam dificuldades mesmo em 2003 e 2004, quando o câmbio estava muito mais desvalorizado. "Com isso, pelo menos a tarefa parece menos irrealista: não será preciso levar o câmbio de volta ao nível de 2004", ressalvou Souza, para quem o câmbio precisa se tornar um objetivo central da política econômica, que tem de ser coordenada. A política fiscal, a política monetária e medidas de controle de capitais têm de funcionar de modo orquestrado, o que aumentaria a eficiência do combate à valorização do câmbio. 

O economista Ricardo Carneiro, da Unicamp, mostrou ceticismo quanto ao efeito de um câmbio mais desvalorizado sobre as exportações, que hoje se concentram especialmente em commodities, muito menos sensíveis ao nível da moeda que as de manufaturados. Ele considera que alguns setores não vão conseguir competir com a China nem com um câmbio megadepreciado, dada a escala e o baixo custo da mão de obra chinesa. 

O impacto maior, segundo ele, tende a ocorrer sobre a capacidade da indústria de competir com os produtos importados no mercado interno. "O câmbio é muito importante e está valorizado demais, mas é preciso cuidado com ele", disse Carneiro, ressaltando que o modelo de crescimento brasileiro se baseia na demanda doméstica, e não nas exportações. 

O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira discordou de Carneiro. Disse que, no fim dos anos 60, os manufaturados correspondiam a 6% da pauta de exportações. Nos anos 80, esse percentual superava 60%, graças a uma política econômica que estimulou a exportação desses produtos. "O Brasil não está fadado a exportar apenas commodities." Para Bresser, uma das maneiras de lutar contra a valorização do câmbio é taxar a exportação de alguns produtos primários, como o minério de ferro, de modo a neutralizar a doença holandesa (fenômeno pelo qual as receitas obtidas com commodities apreciam o câmbio e afetam os setores manufatureiros). A outra medida fundamental, segundo ele, é diminuir os juros estratosféricos, que atraem o capital de curto prazo para o país, o que pode ser facilitado com uma política fiscal mais restritiva. 

O economista Marco Flavio Resende, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), propôs a adoção de controles de capitais na entrada e na saída do país, para promover uma desvalorização administrada e gradual da taxa de câmbio. Para lidar com eventuais pressões inflacionárias, a política fiscal teria que ser apertada, assim como a política monetária - com esses controles de capitais, os juros altos não contribuiriam para valorizar mais o câmbio. Resende reconheceu a dificuldade política de se implementarem essas medidas. 

Souza, aliás, dedicou parte de sua exposição aos motivos que "enfraquecem a vontade política de defender um câmbio competitivo". Segundo ele, uma razão é que as pressões inflacionárias aumentam a tentação de se usar o real como instrumento de política monetária. Outra é que não há crise de balanço de pagamentos à vista, com a melhora dos termos de troca e a forte entrada de capitais. "E a economia cresce há oito anos a um ritmo suficiente para reduzir drasticamente o desemprego."

NOTICIA - TV RECEITA LANÇA SÉRIE DE VÍDEOS COM ORIENTAÇÕES SOBRE A DECLARAÇÃO DO IR 2015 - Fonte: RECEITA FEDERAL

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