segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Noticia - Brasil ousa dar rumo ao Mercosul | Valor Online


Em duas semanas, o governo brasileiro tentará uma jogada ambiciosa para enfrentar uma das principais críticas ao Mercosul, a de que é um arranjo muito imperfeito - um ensaio de integração econômica e comercial perfurado de exceções, que impedem o livre trânsito de mercadorias e atrapalham negócios das empresas dedicadas ao bloco regional. O Brasil que fixar, com os sócios, datas e métodos para remover os obstáculos que ainda existem à integração comercial nos países do Mercosul. A recepção da proposta entre os técnicos dos quatro países, reunidos na semana passada, não permite muito otimismo, porém.

Durante dois dias, na semana passada, diplomatas e técnicos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai debateram sugestões como a meta de 1º de janeiro de 2011 para que todas as alfândegas desses países estejam integradas eletronicamente e unificados os procedimentos e normas dos fiscais aduaneiros em todas as fronteiras do Mercosul. A proposta também estabelece etapas (até 2017) para que, uma vez ingressada em algum dos países do bloco, uma mercadoria possa transitar por todos os outros sem ter de pagar novamente tarifa de importação.

Os cronogramas e medidas discutidos pelos negociadores devem orientar a próxima reunião de cúpula do bloco, nos dias 16 e 17 de dezembro, em Foz do Iguaçu, e, na falta de acordo, a decisão ficou para os ministros e presidentes. No campo econômico, a discussão está concentrada no que os diplomatas chamam de "consolidação da união alfandegária", uma agenda de 28 capítulos e algumas dezenas de artigos. Como antecipou em outubro ao Valor o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, o objetivo do governo brasileiro é criar "metas" para uma "integração plena" entre os países.
País quer remover obstáculos à integração no bloco
O problema, para alguns dos sócios do Brasil no Mercosul, é que essa integração obedece a prioridades do Brasil, nem sempre coincidentes com as dos demais. Os brasileiros querem, por exemplo, acabar com as chamadas exceções à tarifa externa comum, que são, de fato, uma excrescência num bloco integrado de comércio como pretende ser o Mercosul. Mas os sócios menores acusam os brasileiros de querer prejudicá-los nessa discussão.

Hoje, em vez de tarifas homogêneas, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai cobram, cada um, diferentes alíquotas de imposto de importação sobre bens de informática e telecomunicações e sobre máquinas e equipamentos para a indústria (os chamados bens de capital). Dono de uma diversificada indústria de máquinas e equipamentos, o Brasil tem tarifas mais altas, para proteger a produção local, enquanto os sócios obtiveram, na marra, permissão para importar com tarifas mais baixas, barateando investimentos e evitando uma dependência excessiva dos equipamentos produzidos no maior país do bloco.

Os uruguaios costumam criticar a subordinação dos interesses do Mercosul às conveniências do sócio mais forte. Eles reclamam da insistência brasileira em tarifas mais altas para os bens de capital; queixaram-se também da resistência brasileira a incluir, no documento de "Consolidação" uma regulamentação mais rígida para concessão de incentivos fiscais e financeiros (o Brasil, país com maior capacidade para dar incentivos, não quer perder a autonomia que tem para dar fôlego à indústria nacional).

As ambições do Itamaraty se estendem à criação de regimes especiais conjuntos de apoio a setores empresariais - o documento prevê a consolidação, até o fim de 2011, de um esquema desses, com facilidades para os investidores, voltado para as indústria naval e aeronáutica; até o segundo semestre de 2014 seria criado um para os setores de saúde e educação, entre outros.

As sugestões brasileiras correm o risco, porém, de se transformarem em uma lista de compromissos genéricos, longe da intenção manifestada por Amorim, de aprofundar as normas comuns entre os países do Mercosul. Em alguns casos, quem resiste às definições são os sócios do Brasil; em outros, são os próprios brasileiros que rejeitam a perda de soberania que implica esse tipo de acordo. 

Paralelamente, porém, os setores ligados à indústria dos dois governos mostram a necessidade de uma maior coordenação entre os países, para extrair o máximo de vantagens do interesse mundial pelos mercados da região. Na sexta-feira, Argentina e Brasil anunciaram a intenção de negociar uma proposta comum para discutir, em 2011, com as montadoras de automóveis, responsáveis por um terço do comércio entre os dois países. A intenção dos dois governos é pressionar as empresas multinacionais para que incluam Brasil e Argentina entre seus centros de desenvolvimento de novas tecnologias, de materiais e máquinas inovadores a combustíveis alternativos. 

Assumiram o desafio de mostrar que os dois países, coordenados, têm mais chance de obter resultados favoráveis do que se competirem entre si pelas boas graças dos investidores.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Noticia - Espanha deixa lista de regime fiscal privilegiado | Valor Online


A Receita Federal publicou ontem uma instrução normativa pela qual retira, provisoriamente, a Espanha da lista de nações com regime fiscal privilegiado. A medida ocorre após um pedido de revisão feito pelo governo do país. 

Nações com a classificação de regimes fiscais privilegiados não podem ser enquadradas como paraísos fiscais, mas oferecem privilégios com o objetivo de atrair investimentos. 

Segundo a Receita Federal, o governo espanhol fez um pedido de revisão. Enquanto o Fisco brasileiro estiver analisando a documentação enviada, o país fica fora da lista. Não há um prazo determinado para que essa avaliação ocorra. 

Para que a decisão seja revertida, o país precisará provar que a legislação tributária está apta à revisão do enquadramento. O governo brasileiro pode ainda considerar inconsistente as informações enviadas pela Espanha e voltar a incluir o país, informa a assessoria de imprensa da Receita. 

O sócio da área de tributos da Ernst & Young Terco, Sérgio André Rocha, lembra que alguns dos países listados como regimes fiscal e tributário diferenciados não têm essa classificação internacionalmente. "Alguns dos regimes apontados como privilegiados foram considerados não abusivos no último relatório sobre Harmful Tax Competition editado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o que pode ser interpretado como uma inconsistência entre a legislação brasileira e a prática mundial", afirma. 

Os regimes fiscais privilegiados podem ocorrer mesmo em países com níveis de tributação internacionalmente aceitos. "Isso porque, mesmo um país não se enquadrando no conceito de país com tributação favorecida, sua legislação interna pode criar privilégios fiscais para determinados grupos de pessoas físicas ou jurídicas", diz a Receita em nota. 

Esses regimes permitem a ocorrência de operações entre empresas sem que ocorra atividade econômica substancial com o propósito de atrair capital para seus territórios. 

De acordo com a Receita Federal, nove países fazem parte da lista de nações com regimes fiscais privilegiados. Há ainda outros 65 com tributação favorecida, os chamados paraísos fiscais. 

Pelos critérios da Receita, a classificação de tributação favorecida abrange países que não tributam a renda ou cobram Imposto de Renda (IR) de no máximo 20%. Também são enquadrados na categoria países com sigilo comercial, cuja legislação não permite saber quem são os proprietários ou sócios de empresas.

Legislação - Circular SECEX nº 55/2010 - Comércio Exterior - EUA e México - Policloreto de Vinila - Preço de Referência - Alteração.

A Circular nº 55/2010 alterou os preços de referência vigentes até o final da revisão atualmente em curso. São eles: a) US$1.553,00/t para os EUA; e b) US$ 976,00/t para o México. 
 
Os referidos preços serão aplicados nas operações de importação originárias dos países mencionados, envolvendo policloreto de vinila, não misturado com outras substâncias, obtido por processo de suspensão (PVC-s), classificado no código da NCM 3904.10.10.

Legislação - Ato Declaratório Executivo RFB nº 22/2010 - Regime fiscal privilegiado - Espanha - Efeito suspensivo.

Foram suspensos os efeitos da inclusão da Espanha na relação de países detentores de regime fiscal privilegiado, relativamente às pessoas jurídicas constituídas sob a forma de Entidad de Tenencia de Valores Extranjeros (E.T.V.Es.), prevista na Instrução Normativa RFB nº 1.037, de 4 de junho de 2010, tendo em vista o pedido de revisão, apresentado pelo Governo daquele país.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Noticia - BNDES quer barrar importação incentivada por benefícios fiscais | Valor Online


As políticas de isenção do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) às importadoras, colocadas em prática por Estados como Santa Catarina e Paraná, receberam ontem dura crítica do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. "Está mais do que na hora de fechar esses corredores de importações nos Estados", afirmou o executivo, que garantiu também "inteira compreensão" por parte do ministro da Fazenda, Guido Mantega, quanto ao assunto. "Ele concorda. Isso [a política de incentivo a importações] não pode continuar." 

Diante da forte redução do saldo comercial brasileiro, que passou dos US$ 40 bilhões registrados em 2007 para cerca de US$ 15 bilhões neste ano, o presidente do BNDES afirmou que o momento não é de incentivar as importações, mas de estimular as exportações de manufaturados. Para tanto, Coutinho anunciou que o governo deve lançar nos próximos meses uma segunda Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP 2). Ao Valor, ele afirmou que faltam ajustar "os últimos pequenos detalhes". "Não tivemos o PAC 2 e o Minha Casa, Minha Vida 2? Está na hora, então, de reforçarmos as metas estabelecidas pela primeira PDP", disse, em referência ao primeiro conjunto de medidas ao setor industrial, do início de 2008, que, entre outras metas, ambicionava atingir em 2010 uma taxa de investimentos equivalente a 22% do PIB - o governo prevê taxa de 19% este ano. "A crise mundial estourou no meio do caminho, mas agora voltamos a trabalhar para retomar as metas", disse. 

Coutinho participou ontem do 5º Encontro Nacional da Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo, com cerca de 2 mil empresários presentes. As medidas de incentivos fiscais à empresas que importam foram inauguradas em 2007 pelo governo de Santa Catarina, sob o programa "Pró-Emprego", que reduziu a alíquota de ICMS aos importadores para no máximo 3% - era cobrado, até aquele ano, 17%. Há duas semanas, conforme noticiou o Valor, a CNI e a Força Sindical ingressaram com ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra incentivos fiscais a importações concedidos por Santa Catarina e Paraná.

O ex-secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda Bernard Appy caracterizou as medidas aplicadas pelos Estados como "incentivos perversos", e lamentou o fato de que a política catarinense esteja se disseminando para outros Estados. "Trata-se de um sério problema tributário, algo que precisa ser resolvido logo."

Segundo o empresário Jorge Gerdau, as políticas de incentivo às importações são um "escândalo tributário", uma vez que penalizam fabricantes nacionais. "O nome mais adequado para esse programa seria 'Pró-Emprego no Exterior', uma vez que estimula o empresário estrangeiro a produzir. É incrível que o Brasil possa permitir esse tipo de coisa, o momento exige medidas fortes", cobrou.

Os empresários abordados pela reportagem apontaram a desvalorização do câmbio e a "isonomia tributária" como principais metas a serem perseguidas pelo governo Dilma Rousseff. Josué Gomes da Silva, Décio Silva e Astor Schmitt, respectivamente presidentes da Coteminas e do conselho de administração da Weg e diretor corporativo da Randon, respectivamente, apontaram como "grande" e "muito próximo" o risco de desindustrialização no país. Bernardo Grandim, presidente da Braskem, foi mais longe. "A indústria brasileira não é competitiva e o país está semeando uma crise num futuro próximo. O espaço da nossa indústria está sendo ocupado pelos chineses", afirmou Grandim.

Para Luciano Coutinho, o país terá dois anos "muito difíceis" pela frente, uma vez que as taxas de juros continuarão em patamares elevados e a atratividade da economia como um todo permanecerá grande. Assim, raciocina ele, a missão do governo para conter crescente valorização cambial será "desafiadora". "A presidente Dilma olhará para a indústria com altíssima prioridade. Ela tem um interesse firme e claro sobre a PDP 2, quando será trabalhada a questão da competitividade industrial", afirmou o presidente do BNDES, para quem o conjunto de medidas deveria ser implementado "imediatamente".

Segundo apurou o Valor, a PDP 2 terá como principal foco a implementação de mecanismos que facilitem o ressarcimento de créditos tributários, obtidos por indústrias que pagam impostos sobre a compra de máquinas e equipamentos. Além disso, a Política de Sustentação do Investimento (PSI), colocada em prática pelo BNDES desde o ano passado e que continuará em vigência até março, deve ser embutida no texto da PDP 2 - o programa oferece financiamento para compra de máquinas a taxa de 5,5% ao ano.

Outra meta é a ampliação dos "cartões BNDES", distribuídos aos pequenos empresários para financiamentos de até R$ 1 milhão, com 48 meses de carência e juros máximos de 10% ao ano - as menores taxas para capital de giro do país. O BNDES espera fechar 2010 com 350 mil cartões em circulação.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Noticia - Secex abre consulta pública sobre acordo Mercosul-União Européia (MDIC).

Foi publicada, na edição de ontem (29/11) do Diário Oficial da União, a Circular n° 54 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), que trata de consulta pública sobre o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Européia.

Por meio da consulta, associações e entidades de classe poderão se manifestar sobre a proposta européia de requisitos específicos de origem para os produtos classificados nos capítulos 25 a 97 do sistema harmonizado das negociações entre os dois blocos econômicos. As manifestações deverão ser caracterizadas como favoráveis ou contrárias à proposta da União Européia e devem ser encaminhadas por meio de documento escrito endereçado ao Departamento de Negociações Internacionais (Deint) e de cópia digital por e-mail.

O prazo para enviar as manifestações termina às 17h (horário de Brasília) do dia 14 de janeiro de 2011. Na consulta pública, não será permitido apresentar novas propostas e, nos casos em que a manifestação for contrária, é necessário apresentar uma justificativa de contrariedade. No documento, devem constar ainda os dados sobre as associações e das entidades de classe. Todas as informações fornecidas serão tratadas como confidenciais pelas autoridades.

Clique aqui para acessar a Circular n° 54. 

Para mais informações sobre a proposta européia, clique aqui.      

Serviço
Endereço Deint: Esplanada dos Ministérios, Bloco J, 8º Andar, Sala 814. 
E-mail para envio de cópia digital: deint@mdic.gov.br.
Prazo para encaminhar as manifestações: 14 de janeiro de 2011.


Noticia - Brasil e Coreia do Sul avaliam temas de interesse no agronegócio (Portal do MAPA).

Os governos do Brasil e da Coreia do Sul se reúnem para repassar pendências bilaterais, definir cooperação em tecnologia de alimentos e trocar experiências na produção agropecuária na próxima semana, em São Paulo (SP). O terceiro encontro do Comitê Consultivo Agrícola (CCA) Brasil - Coreia será quinta-feira, 2 de dezembro, e sexta-feira (3), com representantes dos ministérios de agricultura dos dois países.

 O principais temas de interesse da parte brasileira são a abertura da exportação de carne suína in natura de Santa Catarina, único estado livre de febre aftosa sem vacinação, e a exportação de carnes bovina e suína termoprocessadas.

A preocupação com as mudanças climáticas e a mitigação de gases de efeito estufa e as ações dos dois países no setor agropecuário também entrarão na pauta do CCA. Do lado brasileiro, será apresentada a experiência do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), lançado em julho deste ano para incentivar práticas agrícolas que contribuam para o sequestro de dióxido de carbono. 

Está prevista ainda a criação de um grupo de trabalho para investimento em agricultura. A ideia é debater investimentos diretos da Coreia no agronegócio brasileiro para a produção agropecuária, em áreas como processamento, comercialização, infraestrutura e logística e parcerias público-privadas.


NOTICIA - TV RECEITA LANÇA SÉRIE DE VÍDEOS COM ORIENTAÇÕES SOBRE A DECLARAÇÃO DO IR 2015 - Fonte: RECEITA FEDERAL

Principais dúvidas dos contribuintes são explicadas de forma didática A Receita Federal divulgou no dia 17/3, no canal da TV Receita no y...